Segundo especialista, morteiro utilizado em manifestação é diferente dos comercializados
RAFAEL NASCIMENTO
O artefato que provocou o afundamento de crânio e a consequente morte
do cinegrafista da Rede Bandeirantes Santiago Andrade, atingido na
manifestação da última quinta-feira, contra o aumento das passagens de
ônibus, não foi comercializado, mas produzido artesanalmente. Pelo menos
essa é a conclusão do pesquisador do grupo de análise de risco
tecnológico e ambiental da Coppe da UFRJ Moacyr Duarte chegou, após
fazer uma análise quadro a quadro das imagens que mostram o momento em
que o cinegrafista foi atingido. De acordo com ele, as características
do rojão e da explosão são diferentes dos artefatos de mesma natureza
que são vendidos normalmente
— Em artefatos comercializados, o
estojo (o cano que envolve o material interno) permanece inteiro, após a
explosão. Também há um ponto de pedra ou uma extensão para a segurança
de quem solta o morteiro, rojão ou foguete. Além disso, há uma
quantidade de pólvora, que gera uma propulsão e garante que a explosão
ocorra a uma distância segura de quem solta — explica ele, comparando
com o artefato que atingiu o cinegrafista. — Nesse caso, não havia o
ponto de pedra e, na explosão, o material foi para um lado e o estojo
foi para o outro, explodindo em várias direções.
Segundo Duarte,
a potência da explosão, que causou o afundamento de crânio de Santiago,
por exemplo, provoca grandes estragos numa porta, com o auxílio de uma
placa de aço para direcionar o impacto. O especialista acredita que o
artefato utilizado na manifestação tenha sido elaborado por alguém com
conhecimentos específicos sobre o assunto. Segundo o especialista, a
matéria prima da elaboração pode ter sido artefatos comercializados.
— É possível que esses artefatos sejam produzidos, a partir da
desmontagem de outros comercializados — explica ela. — É preciso
conhecer a estrutura para poder montar algo do tipo. Eu desafio qualquer
pessoa encontrar algo assim em algum estabelecimento que venda esse
material.
Duarte atentou ainda para o perigo caso esses artefatos sejam produzidos para utilização em manifestações.
— Eu tenho medo de que alguém esteja fabricando esses rojões com esse intuito — acrescenta o especialista.
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