Com atraso, governo já não conta com 17 usinas do pac para reduzir risco de apagão
Danilo Fariello
BRASÍLIA, RIO E VITÓRIA - O Plano Decenal de Energia (PDE), elaborado
pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e aprovado pelo Ministério de
Minas e Energia (MME), no mês passado, que contém as perspectivas de
desenvolvimento do setor até 2022, deixou de fora pelo menos 17 usinas e
obras de aproveitamento hidrelétrico previstas no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Essas usinas poderiam aumentar a
capacidade de geração hídrica no país, afastar o risco de racionamento
ou, pelo menos, reduzir a necessidade de uso das usinas térmicas, mais
caras e mais poluentes. A exclusão indica que o próprio governo não
acredita que essas obras ficarão prontas no horizonte de dez anos.
Segundo Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE e responsável pela
elaboração do PDE 2022, entre as obras incluídas no PAC, há uma série de
usinas com problemas complexos que precisam ser contornados para que se
tornem viáveis do ponto de vista do planejamento do setor. Algumas
delas estão ainda em fase de estudo de viabilidade ou de inventário e,
dentro do horizonte do PDE, não se pode considerar que ficarão prontas,
avalia.
- A gente não pode contar com novas usinas no planejamento antes que atinjam um determinado estágio - disse ele ao GLOBO.
A usina hidrelétrica de Toricoejo, em Mato Grosso, por exemplo, já era
listada como um empreendimento do programa, com orçamento de R$ 174,8
milhões e capacidade de geração de 76 Megawatts (MW), no primeiro
balanço do PAC, em 2007. Segundo a previsão, essa usina do Rio das
Mortes entraria em operação em novembro de 2012 e estaria completamente
pronta em março de 2013. O cronograma da obra era considerado adequado.
Porém, o PDE 2022, que é usado como referência para cálculos pelo setor
elétrico sobre aquilo que se planeja de expansão para os próximos dez
anos, sequer leva em conta a hidrelétrica e tampouco prevê sua entrada
em operação. No último balanço do PAC, o empreendimento ainda estava na
fase de "ação preparatória".
Tolmasquim disse que a maioria
dessas usinas, como Chacoarão, em Jacareacanga (PA), tem problemas de
licenciamento ambiental pendentes, como o impacto em terras indígenas ou
áreas de conservação. Algumas têm problemas pontuais que impedem que
sejam incluídas na projeção do MME, como as usinas de Garabi e Panambi,
localizadas na fronteira, em parceria com a Argentina, o que no momento
representa um complicador para a entrada em operação.
APAGÃO AINDA SEM EXPLICAÇÃO
Mesmo que estejam fora do horizonte do PDE, Tolmasquim considera que é
importante que essas usinas hidrelétrica estejam no PAC, porque a
classificação ajuda a acelerar a liberação de licenças e as articulações
no governo para efetivamente tirá-las do papel:
- São usinas
importantes para o país, senão não estariam no PAC. É interessante que
estejam incluídas ali, porque, estando fora do PAC, a possibilidade de
saírem seria muito pequena.
O Ministério do Planejamento,
responsável pelo PAC, respondeu ao GLOBO que, diferentemente da EPE,
prevê que todas cinco usinas ignoradas pelo PDE entrarão em operação até
2020. Indica também que todos os 12 aproveitamentos hidrelétricos serão
concluídos até 2017. O ministério também avalia que empreendimentos de
construção de hidrelétricas são complexos. "A legislação brasileira
prevê rigorosos estudos de licenciamento ambiental e de impacto
socioambiental, bem como podem afetar comunidades indígenas,
quilombolas, de pequenos agricultores e ribeirinhos".
O Operador
Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não concluiu ainda os estudos sobre
as causas do apagão que atingiu 12 Estados das regiões Sudeste e
Centro-Oeste e o Distrito Federal no início do mês. Uma fonte disse que
os estudos em andamento não descartam a hipótese de ter sido um raio que
atingiu os transformadores que derrubaram duas linhas de transmissão. O
importante do relatório, segundo a fonte, é saber o que realmente
ocorreu para propor ações e adotar possíveis correções para evitar que o
acidente se repita. No próximo dia 17 será feita uma reunião técnica no
Operador com os agentes e distribuidoras para analisar o apagão que
ocorreu na terça-feira no Espírito Santo.
Segundo o ONS, o
apagão que afetou a Grande Vitória, o Norte do Espírito Santo e algumas
regiões do Sul capixaba e Leste de Minas Gerais na noite de terça-feira
foi causado pela explosão num transformador de uma subestação capixaba.

Nenhum comentário:
Postar um comentário