População de idosos na América Latina deve quadruplicar até 2050, indica estudo do BID
O sistema previdenciário do Brasil vai enfrentar grandes desafios nas
próximas décadas. Isso porque a população de idosos deve quadruplicar em
menos de 40 anos, segundo o estudo do BID (Banco Interamericano de
Desenvolvimento).
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (29), aponta que, em 2050,
haverá mais de 140 milhões de pessoas com 65 anos ou mais na América
Latina e no Caribe — quase quatro vezes mais do que os 40 milhões que
existem hoje.
A população de idosos vai representar quase 20% do total de pessoas da
região. Segundo estudos dos especialistas do BID, “esta transição
demográfica colocará a política previdenciária como um dos principais
elementos das políticas públicas”.
Segundo Mariano Bosch, um dos autores do estudo, os países da América
Latina podem enfrentar, nas próximas décadas, uma crise previdenciária
como a que atingiu a Europa. Para ele, esse é o momento de pensar em
políticas para evitar um problema futuro.
— Haverá uma pressão econômica e fiscal nos programas previdenciários
[devido ao aumento da população de idosos]. Precisamos pensar em quais
políticas são necessárias para acompanhar esse crescimento demográfico,
que tipo de medida vamos precisar adotar para passar por essa transição
demográfica.
Se, atualmente, para cada aposentado existem dez trabalhadores
potenciais, em 2050, essa proporção cairá para três trabalhadores a cada
um aposentado.
Para o BID, o governo terá de fazer um esforço para custear uma
população que chegará ao final da vida ativa sem dinheiro para se manter
na terceira idade. Bosch afirma que, se as circunstâncias não mudarem, o
País vai enfrentar uma crise.
— Vamos ter problemas sociais muito graves, porque as famílias vão ter
que se responsabilizar pelos idosos. Ou o Estado vai ter que oferecer
uma pensão, mesmo se o idoso não tiver contribuído, uma pensão
assistencial, o que gera problemas fiscais graves.
Pressão política
Como vão representar uma grande parte da população — e,
consequentemente, do eleitorado — o governo não vai poder ignorar as
necessidades dessa parcela da sociedade. O estudo do BID avalia que “a
porcentagem de idosos continuará obtendo maior poder político conforme
avance a transição demográfica”.
Com isso, a tendência é de que os gastos públicos com previdência
social aumentem cada vez mais. Os dados mais recentes são de 2009 e
apontam que o Brasil gasta mais de 14% da produção total de riqueza do
País, o PIB (Produto Interno Bruto), com seguridade social.
A despesa é maior que o dinheiro investido em áreas consideradas
essenciais. Os gastos com saúde somam 5,2% do PIB e com educação não
chegam a 6% da produção total do Brasil.

Míriam, você pode me dar o contato do pesquisador da Unidade de Mercado de Trabalho e Seguridade Social do BID, Mariano Bosch? Eu gostaria de lhe provar por A+B que o assunto não é bem assim. Os trabalhadores urbanos contribuem para se aposentar bem, o problema que temos são decorrentes das aposentadorias dos servidores públicos (RPPS) e do INSS rural. Enquanto o INSS urbano é superavitário, apesar de muito espoliado, o RPPS (dos servidores públicos) e o INSS rural apresentam imensos déficits. Tenho um trabalho com todos os dados oficiais, e também: há um trabalho do BID de 2002 que corrobora tudo o que escrevi. OK? Posso entrar em contato com ele?
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