Fonte: Correio Braziliense
Os brasileiros com mais de 60 anos que desejam contratar um convênio
médico precisam enfrentar uma verdadeira saga. Parte das grandes
operadoras deixou de fazer acordos de planos individuais e algumas
sugerem ao idoso que se associe a outras pessoas e faça um pacote
empresarial, o que o obrigada a abrir um negócio, ao menos no papel. As
corretoras assumem que recebem orientação das empresas para não
negociarem com pessoas de mais de 59 anos. Esse tipo de discriminação
chamou a atenção da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do
Ministério da Justiça, que promete partir para cima das companhias e
puni-las por essa e outras infrações.
Para cobrar as operadoras, a
Senacon deve se basear nas reclamações feitas em sua ouvidoria, na da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e nos órgãos de defesa do
consumidor. E não faltarão registros contra as empresas. Só o órgão
regulador recebeu, em 2013, mais de 102 mil queixas em relação aos
convênios, número 30,9% maior que no ano anterior. Os brasilienses
também procuraram os seus direitos. No Distrito Federal, o Instituto de
Defesa do Consumidor (Procon-DF) contabilizou 2,7 mil protestos
relacionados a esse tipo de serviço — 400 a mais que em 2012.
A
aposentada Eunice Maria Ceratti, 63 anos, sabe bem o quão trabalhoso é
tentar contratar um plano de saúde. Ela está nessa missão há quase dois
meses. “As operadoras até têm tabelas de preços para as pessoas com mais
de 59 anos, mas, na realidade, elas não aceitam fazer planos
individuais (para esse público)”, disse. Eunice ligou para as empresas
SulAmérica, Golden Cross, Bradesco, Amil e para a corretora Planos de
Saúde Brasília. “Todas recomendaram que eu abrisse uma empresa com, no
mínimo, dois sócios para garantir um convênio. Acho um absurdo ter de
fazer isso para garantir uma proteção à minha saúde”, lamentou.
Desrespeito
O
Correio entrou em contato com a corretora Planos de Saúde Brasília, e o
atendente confirmou a restrição aos idosos. “Recebemos, sim, esse tipo
de orientação das grandes operadoras. Podemos fechar um acordo se a
pessoa tiver uma empresa. Do contrário, será impossível efetivar o
procedimento”, explicou. “Senti-me velha e acabada. Não tenho direito a
um plano de saúde?”, questionou Eunice Ceratti. Procuradas, a SulAmérica
e a Golden Cross assumiram não trabalhar mais com planos individuais. A
Amil disse, em nota, que “não faz restrições a contratos com
beneficiários de 59 anos ou mais”.
O Bradesco Seguros disse que a
Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) falaria por ela. A
federação, por sua vez, comentou que as companhias “não podem exercer
qualquer tipo de discriminação em relação à idade do beneficiário”. A
ANS informou que, caso a operadora esteja restringindo o atendimento de
idosos, pessoas com doenças graves ou deficientes, estará desobedecendo
ao Estatuto do Idoso e ao Código de Defesa do Consumidor, e pode ser
multada em R$ 50 mil por cada infração. Os consumidores podem registrar
queixas no disque ANS (0800-701-9656) ou no site www.ans.gov.br.

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