Posição é retaliação contra Dilma por andamento da reforma ministerial
PAULO CELSO PEREIRA
BRASÍLIA- Insatisfeita com o tratamento que vem recebendo do Planalto
na reforma ministerial em curso, a bancada do PMDB na Câmara vai
endurecer de vez a relação com o governo da presidente Dilma Rousseff.
Em reunião de cerca de duas horas na tarde de ontem, os deputados do
partido decidiram que votarão pela derrubada dos cinco projetos
colocados em regime de urgência pelo governo e que estão aguardando
apreciação do plenário, e contra todos os vetos presidenciais a matérias
que o partido tiver apoiado.
Com a decisão, os primeiros
projetos de interesse do governo que podem ser atingidos são o Marco
Civil da Internet e a proposta que prevê que os 10% de multa adicional
paga pelas empresas sobre o FGTS nas demissões sem justa causa seriam
destinados ao Minha Casa Minha Vida. A proposta de criar cotas de 20%
das vagas nos concursos para negros também está em regime de urgência e
pode ser rejeitada com a ajuda do PMDB.
Entre os vetos, o alvo
mais importante para o PMDB é o projeto que permite a criação de novos
municípios que será votado na próxima terça-feira. Ele foi vetado
integralmente por Dilma, mas interessa diretamente as bases
peemedebistas.
— Nossa posição é derrotar todo projeto que tenha
urgência, para limpar a pauta. Vamos votar e derrotar. Queremos limpar a
pauta, e o governo no fundo quer mantê-la trancada — disse o líder do
PMDB, Eduardo Cunha (RJ), ao final da reunião.
O líder garante,
no entanto, que o partido não patrocinará pautas que tenham impacto
fiscal, a chamada pauta-bomba. No encontro, Cunha falou da conversa que o
vice Michel Temer manteve com Aloizio Mercadante (Casa Civil). Mas,
segundo relatos, a bancada sequer debateu a hipótese de recuar da
decisão da semana passada de não indicar novos nomes para o Ministério
de Dilma. O líder nega que a decisão de derrubar vetos e projetos em
urgência seja retaliação:
— Não tem nada contra ninguém, é
apenas querer ter a prerrogativa de o Parlamento fazer sua pauta,
respeitando o compromisso de não pôr matérias com impacto fiscal. Há
projetos de interesse nosso parados porque a pauta está trancada.

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