quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PMDB ameaça derrubar projetos de urgência do governo na Câmara

Fonte: O Globo

Posição é retaliação contra Dilma por andamento da reforma ministerial

PAULO CELSO PEREIRA

 
BRASÍLIA- Insatisfeita com o tratamento que vem recebendo do Planalto na reforma ministerial em curso, a bancada do PMDB na Câmara vai endurecer de vez a relação com o governo da presidente Dilma Rousseff. Em reunião de cerca de duas horas na tarde de ontem, os deputados do partido decidiram que votarão pela derrubada dos cinco projetos colocados em regime de urgência pelo governo e que estão aguardando apreciação do plenário, e contra todos os vetos presidenciais a matérias que o partido tiver apoiado.

Com a decisão, os primeiros projetos de interesse do governo que podem ser atingidos são o Marco Civil da Internet e a proposta que prevê que os 10% de multa adicional paga pelas empresas sobre o FGTS nas demissões sem justa causa seriam destinados ao Minha Casa Minha Vida. A proposta de criar cotas de 20% das vagas nos concursos para negros também está em regime de urgência e pode ser rejeitada com a ajuda do PMDB.
Entre os vetos, o alvo mais importante para o PMDB é o projeto que permite a criação de novos municípios que será votado na próxima terça-feira. Ele foi vetado integralmente por Dilma, mas interessa diretamente as bases peemedebistas.
— Nossa posição é derrotar todo projeto que tenha urgência, para limpar a pauta. Vamos votar e derrotar. Queremos limpar a pauta, e o governo no fundo quer mantê-la trancada — disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), ao final da reunião.
O líder garante, no entanto, que o partido não patrocinará pautas que tenham impacto fiscal, a chamada pauta-bomba. No encontro, Cunha falou da conversa que o vice Michel Temer manteve com Aloizio Mercadante (Casa Civil). Mas, segundo relatos, a bancada sequer debateu a hipótese de recuar da decisão da semana passada de não indicar novos nomes para o Ministério de Dilma. O líder nega que a decisão de derrubar vetos e projetos em urgência seja retaliação:
— Não tem nada contra ninguém, é apenas querer ter a prerrogativa de o Parlamento fazer sua pauta, respeitando o compromisso de não pôr matérias com impacto fiscal. Há projetos de interesse nosso parados porque a pauta está trancada.

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