Fonte: O Globo
NAS ASAS DO SENADO
Depois da cobrança de preços extorsivos, agências de viagem só atenderão convidados de comissões técnicas
SIMONE IGLESIAS
MARIA LIMA
BRASÍLIA- Diante das denúncias feitas por senadores de preços
considerados absurdos para passagens aéreas de viagens em missão no
exterior, e até mesmo no país, agendadas por agência de turismo
terceirizada pelo Senado, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL)
resolveu que, a partir de agora, cada gabinete será responsável pela
compra dos bilhetes para os senadores.
O pregão eletrônico para
contratação de uma nova agência, programado para ontem, para intermediar
as operações pelos próximos 12 meses, foi suspenso por volta das 15h
para que as empresas interessadas ficassem cientes das mudanças. A
licitação estava no meio quando Renan mandou suspendê-la. Agora, uma
agência será contratada somente para compra de passagens a convidados
das comissões técnicas da Casa.
Na véspera, o chefe da
Coordenação de Apoio Parlamentar (Coapar), Aloysio Britto Vieira, foi
afastado do cargo. Mas os senadores consideraram que de nada adiantaria a
demissão se o sistema não mudasse. A decisão de descentralizar a
emissão de bilhetes aéreos, que será oficializada com um ato da Mesa
Diretora entre hoje e amanhã, foi tomada pelo presidente do Senado
depois de O GLOBO publicar reportagem mostrando que o Senado vem pagando
até cinco vezes mais por passagens aéreas nacionais e internacionais
para parlamentares e servidores.
SENADORES FAZEM SUGESTÕES
A Voetur Turismo e Representações Ltda., empresa que realizava as
compras, foi contratada sem licitação, em caráter emergencial, em agosto
de 2013. O pregão de ontem, cujos parâmetros foram modificados à ultima
hora, tinha objetivo de substituir o contrato temporário da Voetur, que
participou da disputa eletrônica, mas não foi qualificada.
Os
senadores que protestaram pela falta de controle dos preços das
passagens afirmaram ser positivo o fato de Renan estar tentando resolver
o problema. Mas Walter Pinheiro (PT-BA) e Roberto Requião (PMDB-PR) não
consideram que seja a melhor solução simplesmente repassar toda a
responsabilidade de gestão dessa área aos gabinetes. O senador petista
acredita que a melhor alternativa é a aprovação de um projeto, de sua
autoria, que cria uma conta bancária exclusiva, vinculada a um registro
próprio no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) por gabinete,
para melhor administrar e separar a pessoa física da pessoa política,
que passaria a ter atuação jurídica.
— O ideal é separar a
pessoa física da pessoa jurídica política, evitando a movimentação, pelo
senador, de mais de R$ 300 mil anuais (somadas as verbas de gabinete).
Outra saída seria o retorno dos ‘vouchers' junto às companhias aéreas,
que os gabinetes poderiam utilizar sem movimentação de dinheiro. Quanto
menos dinheiro passar pelos gabinetes, melhor — comentou Walter
Pinheiro.
GABINETE DECIDIRÁ COMO AGIR
Já
Roberto Requião disse que os gabinetes não estão preparados para fazer
cotação e comprar passagens. Ele vai sugerir, na reunião da Mesa, que se
crie um grupo de técnicos especializados do próprio corpo de servidores
do Senado para cuidar do agenciamento e pesquisas de preços.
—
Ótimo que alternativas estejam sendo pensadas. O que não podia era
continuar aquela folia de preços com as agências. Agora, é preciso ver
direito a solução, para que a emenda não saia pior do que o soneto —
disse Requião, sugerindo que isso não garantirá a redução dos preços: —
Os gabinetes podem fazer pior ainda, comprar por R$ 18 mil uma passagem
que custa R$ 4 mil. Tenho mais o que fazer além de pesquisa de preços.
Já faço isso para me deslocar para Curitiba.
Os gabinetes já são
responsáveis pela compra das passagens semanais dos senadores, dos seus
estados para Brasília e vice-versa. Agora, responderão também pela
aquisição dos bilhetes para missões oficiais no país e no exterior.
A partir do ato da Mesa, os gabinetes poderão optar ou não pelo uso de
uma agência de turismo. Ainda está sendo definido como os senadores
pagarão pelas passagens, se usarão seus cartões de crédito ou se haverá
faturamento para a Casa. Ontem, acabou a vigência do contrato
emergencial da Voetur e, por isso, foi realizado o pregão.

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