Marcela Mattos, de Brasília
O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira que 27 médicos
cubanos abandonaram o Mais Médicos, programa federal que
será bandeira de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Desse total, o governo afirmou ter sido notificado nesta semana de
três novas ausências – na semana passada, eram 22 desistências –, além
dos já conhecidos casos de Ramona Rodriguez e Ortelio Jaime Guerra. Esses cinco casos são diferentes dos 22 contabilizados até então, porque eles não retornaram para Cuba.
Atualmente, o Ministério da Saúde não tem um protocolo para definir
prazos nem regras sobre o afastamento dos participantes do programa.
Diante da debandada, o ministro Arthur Chioro disse que nesta quinta-feira serão publicadas no Diário Oficial da União as
normas para definir o processo de desligamento. O governo
pretende fixar um limite de dez a quinze dias para o município onde os
médicos atuam informar a saída dos profissionais. Também nesta quinta
será divulgada a lista de 89 profissionais considerados faltosos. Caso
eles não retornem aos postos, a pasta iniciará o processo de
desligamento com a convocação de substitutos.
O ministro da Saúde afirmou ainda que o governo endurecerá as
punições para os municípios que descumprirem as obrigações com o
programa, como o repasse de verbas. Será estabelecido um prazo de cinco
dias para que as cidades apresentem justificativas para os problemas,
além de um limite de quinze dias para a correção. Caso as
irregularidades não sejam solucionadas, os municípios podem ser
descadastrados do Mais Médicos. “Não podemos imaginar que um programa
com esse sucesso possa ter problemas porque um município não consegue
cumprir as suas responsabilidades”, disse Chioro.
Chioro negou que a saída de médicos preocupe o governo. “Para nós, o
que preocupa é recompor o programa e garantir a cada brasileiro o
direito a ter uma equipe completa. Comparando-se a experiências
internacionais, esse número ainda é insignificante”, disse Chioro.
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Ramona – O Ministério da Saúde também informou nesta terça o desligamento definitivo da médica cubana Ramona Rodriguez,
que fugiu da cidade paraense de Pacajá no dia 1º deste mês e denunciou o
contrato diferenciado firmado entre os profissionais cubanos. O
afastamento será publicado no Diário Oficial da União desta quarta.
Ramona teve concedido o pedido de refúgio provisório no país e começa a
trabalhar nesta quarta na Associação Médica Brasileira (AMB).
Além do salário diferenciado aos profissionais cubanos, Ramona
denunciou que tinha de pedir autorização para supervisores cubanos para
sair de casa. O ministro da Saúde rebateu as acusações: “Não me consta
que nenhum profissional tenha restrição de ir e vir. Eu posso dizer
porque me relaciono desde o início do programa com médicos que vão para
onde querem. O que fazem depois que saem das unidades básicas compete a
cada um deles. Posso dizer que na minha cidade eles iam a festas,
estavam vivendo um processo de integração sem nenhum tipo de
cerceamento”, afirmou Chioro. Sobre o salário reduzido aos cubanos, o
ministro sinalizou que pode negociar com a Organização Pan-americana de
Saúde (Opas) o aumento da remuneração.

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